terça-feira, 8 de setembro de 2009

Fanfic - Cap. 11 Final

Capítulo XI


Ele está na minha sala.
Eu estou solteira. Ele também.
Ele me disse "oi" por livre e espontânea vontade.
Todos dizem que pode dar certo entre nós dois.
Nós até já passamos uma ótima noite juntos!
Agora só falta ele dizer "Eu te amo, Minu".
Entrei no meu apartamento com a esperança de ouvir essas tão aguardadas palavras.
Quando ele me vê entrar, diz:

- Como vão seus pés, Minu?

Eu também... O quê? Meus pés? Onde está o "eu te amo"?
Se esperar pacificamente a declaração, que pode nunca vir, não dá certo, então eu vou para o plano B.
Plano B: Ser a Minu de sempre.

- Desde quando Ikki Amamiya se preocupa com alguém?

Perguntei enquanto ia me sentar no sofá em frente ao que ele ocupava.

- Me preocupo apenas com as pessoas que são importantes para mim.

Por essa eu não esperava, tanto que o choque de saber que eu era importante para o Ikki fez com que um dos meus pés - sim, de novo os meus pés! - batesse violentamente na mesinha de centro e que assim eu proporcionasse para Ikki Amamiya a visão de uma queda espetacular.
Em outras palavras: eu levei um tombo ridículo, na minha própria casa, bem na frente do cara pelo qual eu sou apaixonada. Enfim, coisas de Minu Setsuna.
Eu esperei pelas risadas que, para minha surpresa, não vieram.
Quanto tive coragem de abrir os meus olhos, encontrei os lindos olhos azuis de Ikki Amamiya muito próximos dos meus. O que significava que o resto daquele formidável corpo não estava tão longe assim do meu.

- Tá tudo bem com você?

Então, eu tive a certeza: eu sou realmente importante para o Ikki Amamiya.

E as provocações dele comigo não foram por ele me detestar, e sim por ele gostar de mim. A implicância gratuita dele com o Aiolos... não era tão gratuita assim. Era porque o Aiolos era o meu namorado. O fato de ele ter se importado em levar o meu carro na oficina. E também de ele ter jogado mal depois do nosso beijo e conseqüente discussão...

Meu Deus, ele me ama!
Só falta eu conseguir arrancar isso dele!
Ah, e eu o farei, ou não me chamo Minu Setsuna!

Tentando deixar a minha voz o mais normal possível, disse:
- Acho que não quebrei nada. Só consegui fazer com que os meus pés doessem mais ainda.

Ikki se afastou do meu rosto e passou a dar atenção exclusivamente aos meus pés.
Que maravilha eu fui fazer! Ontem eu já tive uma prévia de como ele é maravilhoso com as massagens nos pés.
Só que ontem, eu tinha um namorado e estava em um local público.
Hoje, eu estou solteira e sozinha no meu apartamento com o dono daquelas mãos maravilhosas.
Repeti aquele que já tinha se tornado o meu mantra nas últimas vinte e quatro horas.
Força, Minu! Você tem que resistir!
Tudo bem que tirando em um ou outro momento ao lado do Ikki, eu tinha usado essas palavras de incentivo com relação aos meus sapatos. Agora a tentação não era a vontade de jogar um par de sapatos para longe. A tentação tinha um metro e oitenta e cinco de altura e mãos mágicas. E eu tinha que resistir e não me jogar nos braços dele.

Entretanto, eu não consegui conter um suspiro.
O detalhe era que não era um suspiro de cansaço.

- Minu, não me diga que um simples toque meu no seu pé a afeta tanto ao ponto de te fazer suspirar!

1. De simples aquele toque não tinha nada.
2. Exceto pelo descrito no 1, a sentença do Amamiya estava completamente correta.
3. Eu sei que mentir é errado.
Mesmo levando em conta esses três fatores, e tendo plena consciência de que ao mentir eu poderia perder a minha possível vaguinha no céu... Eu jamais admitiria para o Amamiya que um simples toque dele poderia causar suspiros em mim! Assim, alguns metros mais longe dos anjinhos e mais perto dos capetinhas, eu disse:

- Óbvio que não. Eu tenho cócegas. Muitas cócegas. - Disse enquanto me afastava dele.
Talvez eu ainda conseguisse ir para o céu, afinal não era totalmente mentira.

- Que eu saiba, pessoas que sentem cócegas, riem. Não suspiram.
- Pessoas que têm pés sadios e sentem cócegas, riem. Agora, pessoas que têm todos os músculos, ossos e nervos dos pés doendo por ter usado sapatos assassinos; pessoas que tiveram esses mesmos pés esmagados por uma pirralha pesada demais para a idade dela; e pessoas que, para completar, bateram esse mesmo pé na perna da mesa... Essas pessoas não riem quando sentem cócegas. Elas suspiram quando sentem cócegas. Entendeu?

Só então eu voltei a respirar.

- Como eu poderia discordar? Já pensou em se associar ao Hyoga? Você daria uma ótima advogada. Ou pelo menos confundir os juízes. Porque, por mais absurda que seja a tese que você defende, os seus argumentos soam dramaticamente convincentes.
- Eu não acho que você tenha vindo até aqui para conseguir um sócio para o Hyoga. E nem para saber como estão os meus pés. Então, a que devo a honra da sua visita, Ikki Amamiya?
- Eu vim saber como você está... com relação ao fim do namoro.

Ah, não! Em menos de doze horas a cidade inteira sabe que eu estou solteira novamente!

- A tua amiga te conta tudo, hein?
- Quem?
- A Heinstein. Não foi ela quem te contou?
- Não. E como a Pand sabe que você e o Aiolos terminaram?

Pand. Sem comentários.

- Hum... eu e ela tivemos uma conversinha. Como você soube, então?
- O Priamos me ligou.
- O Olos te ligou? Por quê?

Óbvio que eu não chamava o Aiolos por aquele apelido ridículo, onde já se viu chamar um homem daquele tamanho de Olos. Mas se ele chamava a Pandora de Pand, eu podia muito bem chamar o Aiolos de Olos.

Quase dei risada ao ver a careta que ele fez ao ouvir "Olos".

- Ele acha que nós... combinamos.
Manchete do jornal de amanhã:
1.Professor é assassinado por sua ex-namorada.

Aviso do jornal de amanhã:Essa edição tem uma coluna a menos porque a assassina do professor Priamos era uma de nossas jornalistas.
- E...?

Ele, como se estivesse se contendo pra não sorrir, perguntou:

- Você não vai facilitar mesmo, hein?
- Não sei do que você está falando. - Me fiz de desentendida.
- Certo. Você lembra do baile da minha formatura do colegial?
- Os piores dias da minha vida eu procuro esquecer.

E aquele, entre os piores, estava no top3. O dia que tinha tudo para ser um dos melhores dias da minha vida, se tornou um fiasco. Com direito a um porre no final da festa. O meu primeiro porre, diga-se de passagem.

- Não importa. Vamos relembrar. Eu te convidei para ser o meu par...
- Peraí. Já que vamos fazer isso, vamos fazer direito. Você não me convidou para ser o seu par. Um dia, quando eu estava na sua casa fazendo um trabalho da escola com o Shun, você disse: "Minu, você vai ao baile comigo". E nem esperou uma resposta.
- Dá na mesma. Você foi ao baile comigo.
- E você reclamou a noite toda que eu pisava no seu pé.
- E pisava mesmo. E foi só na primeira metade da noite, porque na segunda você foi correndo para os braços do Seiya.
- Eu não fui para os braços do Seiya. O Seiya, assim como eu, não era formando. Ele foi convidado para ir ao baile, e a menina que tinha convidado ele resolveu voltar com o namorado justamente naquela noite, e o Seiya ficou sem par. E veio me pedir se eu podia ser par dele, já que nenhuma das garotas dava bola pra ele, porque eram mais velhas.
- Você viu então a oportunidade perfeita de abandonar o seu par.
- Como se você tivesse encontrado alguma dificuldade para conseguir um par. Em menos de cinco minutos você já estava com outra garota. Mas, afinal, o que tudo isso tem a ver com o presente?

Ikki ficou um pouco em silêncio, antes de dizer:

- Eu ia pedir você em namoro naquela noite.

Nããããããooooo! Não pode ser verdade!
Manchete do jornal de amanhã
2. Mulher mata melhor amigo por fato ocorrido há uma década.

Aviso do jornal de amanhã: Essa edição tem uma coluna a menos porque a assassina de Seiya Ogawara era uma de nossas jornalistas.
- Diga alguma coisa.

Pessoas em estado de choque conseguem falar?

- Eu... eu pensei... eu pensei que...
- Pensou que...? - Ele incentivou.
- Que você estivesse odiando dançar comigo.
- Eu estava tentando formular o pedido, mas cada vez que eu ia começar você pisava no meu pé.
- Era só você ter dito "Minu, quer namorar comigo?". Ou então, fizesse como você fez pra me convidar pro baile, chegasse e dissesse: "Minu, nós estamos namorando". Simples.
- Não era tão simples assim. Eu tinha apenas dezessete anos e nunca tinha namorado sério. E além de tudo, você me assustava!

O quê? Eu não era tão feia assim!

- Nossa, Amamiya, você sabe como pisotear o ego de uma mulher!

Ele deu um meio sorriso infame antes de dizer.

- Vou tentar me explicar melhor. Você era a amiga pentelha do meu irmão, era chata, irritante e me ignorava. O meu irmão, o Shiryu, o Hyoga, e o Seiya só viviam com você e faziam tudo o que você queria.
- Ei! Não era bem assim. É que eu era a única menina.

Ikki ignorou meu argumento e continuou:

- E mesmo eu tendo um bando de garotas aos meus pés...
- Convencido.
- Realista. E mesmo eu tendo um bando de garotas aos meus pés... era na chata da amiga do meu irmão que eu pensava.
- Você pensava em mim?

Ele novamente me ignorou.

- Você, por sua vez, só tinha olhos pro Seiya.
- Claro que não! Eu gostava..., quer dizer, eu pensava em você também. Eu nunca fui apaixonada pelo Seiya.

Aliás, alguém consegue se apaixonar pelo Seiya? Ah, a Saori. Certo. Voltando ao meu caso, que estava começando a esquentar, já que o Ikki tinha se levantado do sofá em que ele estava sentado e tinha vindo para o meu. Estávamos quase nos beijando quando eu me lembrei do meu objetivo: ouvir um "eu te amo" sair da linda boca do Ikki. E me lembrei também que uma vez nos braços musculosos do Ikki era quase impossível resistir. Por isso, empurrando ele novamente para o sofá onde ele estava, disse com a voz mais firme que consegui:

- Não. Antes vamos deixar algumas coisas bem claras.
- E depois...?
- Não haverá um "depois" se as coisas não estiverem resolvidas entre nós. Sabemos que somos... han... muito compatíveis, agora precisamos conversar.
- Nem começou e já estamos discutindo a relação? Não sabia que você era assim, Minu!
- Ótimo. Agora você já sabe que a Minu de vinte e sete anos é assim. Vamos voltar a falar da Minu de dezesseis, aquela em que você pensava muito.
- Eu não disse que pensava muito. Eu disse que pensava.
- Eu sou jornalista, sei ler nas entrelinhas. Porque você pensava muito na Minu de dezesseis anos?
- Já disse. Porque você era chata, irritante e bonita.
- Você não tinha dito que me achava bonita.
- Eu pensei que você soubesse que sempre foi muito bonita.
- Eu achava que não... nenhum menino se interessava por mim.
- Bom... se interessar, eles interessavam, mas...
- Mas, o que, Amamiya?
- Mas eles sabiam que eu gost... pensava em você. E você sabe, eu era respeitado.
Tecla SAP: 97 por cento dos garotos da escola tinha medo do Ikki.

Os 3 por cento restante eram Shun, Seiya, Hyoga e Shiryu. Que não tinham medo, mas realmente o respeitavam.
Manchete do jornal de amanhã
3.Mulher desesperada assassina o grande amor da vida dela no meio da declaração dele.

Não que isso seja uma declaração propriamente dita, mas é o máximo que se pode obter de Ikki Amamiya.
- Eu podia ter desenvolvido algum trauma ou algo do tipo!
- Não seja dramática, Minu. Você devia me agradecer! Livrei você de alguns adolescentes idiotas cheios de hormônios. Falando em hormônios... Tudo está claro. Agora vamos para o "depois".
- Não ouse sair desse sofá! Ainda temos muito que conversar. E você não me pediu em namoro por quê?
- Porque eu achava que você gostava do Seiya. Mas se a maioria das garotas do colégio era apaixonada por mim, você poderia, pelo menos, me achar interessante, e como nenhum outro garoto dava sinais de estar interessado em você... Só que o Seiya estalou os dedos e você foi correndo.
- E você passou todo esse tempo gostando de mim...
- Não coloque palavras na minha boca. Nesses anos eu apenas continuei achando você irritante, chata e bonita.
- E você está aqui só porque me acha irritante, chata e bonita?

Ele riu.

- Você está adorando tudo isso, não é?

Oh, sim eu estava adorando ver Ikki Amamiya admitir o que realmente pensava de mim.

- Estamos tendo uma conversa interessante.
- Ok, Setsuna. Eu admito: depois que nós nos beijamos pela primeira vez eu voltei a pensar em você.
- Pensar muito?
- Sim, Minu, pensar muito.
- Só pensar muito?

Ele ergueu uma sobrancelha, mas respondeu.

- Eu voltei a gostar de você.

Quase...

- Só gostar?
- Droga, Minu. Eu amo você! Satisfeita?
Minu Setsuna:a mulher mais feliz do mundo.

Motivo:Ikki Amamiya me ama.
Eu! Não a angelical Esmeralda. Ou a femme fatale Pandora.

Mas, sim euzinha!

- Muito satisfeita! - Disse e pulei no pescoço do Ikki. Pronta para beijá-lo quando ele disse:
- Perfeito. Agora você.
- Como?
- Sim, você.
- Ikki... já falamos tudo o que tínhamos pra falar. Já podemos ir para o "depois".
- Pra que a pressa, Minu? Vamos esclarecer as coisas.
- Você me paga, Ikki.
- Prometo fazer cada minuto do "depois" valer muito a pena. Mas primeiro, você fala.
- Certo. Eu acho que comecei a pensar...
- Muito?
- ... em você desde os meus quatorze anos.
- Nossa, mesmo eu no auge da puberdade já era irresistível.
- Vai me deixar falar ou não?
- Se você gostava de mim. Por que você me ignorava?
- Eu não ignorava. Eu era tímida. E tinha o meu orgulho, por isso não ficava correndo atrás de você como aquelas oferecidas da escola.
- Você tinha ciúmes delas!
- E você tinha ciúmes do Seiya. Tem coisa pior?
- E você passou todo esse tempo gostando de mim.
- O limite do amor e do ódio é muito sutil. Digamos que eu passei os últimos treze anos nos dois lados desse limite.
- Ah, é? E o Sr. Perfeição?
- E a Garota Angelical?
- Eu confundi as coisas. Namorar a Esmeralda foi um erro, assim como foi um erro você namorar o Aiolos.
- Eu não acho que tenha sido um erro o meu namoro com o Aiolos.
- Ah, não?
- Não. O Aiolos é uma pessoa maravilhosa. E agora que o nosso namoro acabou, nós nos tornamos amigos. É bom você se acostumar com ele.
- E é bom você se acostumar com a Pandora.
- Ah, não, Ikki! Eu não confio nela, ela vai dar em cima de você, do Seiya, do Shiryu, do Hyoga, do Shun, ou de qualquer outra coisa que ela suspeite ser do sexo masculino.
- Minu! A Pand é... sedutora por natureza. Mas ela gosta mesmo do Aiolos.
- Como você sabe?
- Eu sou o melhor amigo dela. E com relação à confiança que ela sempre tem, quando se referia ao Priamos, ela vacilava. Ontem, ela ficou morrendo de ciúmes de você, porque ela achava que o Aiolos iria preferir você a ela.

Hum... interessante.

- Mas ainda assim, você não tem que se preocupar com o Seiya, Shiryu, Shun e Hyoga, ou com qualquer outra coisa que possa ser do sexo masculino. Você tem que se preocupar apenas comigo.
- E você me ama. Só a mim.
- Convencida. Mas... tudo bem, você me ama também.
- Eu não disse isso.
- Mas eu sei, afinal quem não amaria um cara irresistível como eu?

Apenas revirei os olhos.

- Sr. Irresistível, acho que já é depois.




Quinze dias depois...

Eu estava colando os meus sapatos - Cinco centímetros (eu tinha aprendido a lição) - quando o telefone tocou.

- Alô?
- Sou eu.

O meu namorado. Ikki Amamiya.

- Ótimo, Ikki. Eu te amo, você me ama. Agora eu tenho que acabar de me arrumar, senão vou chegar atrasada ao encontro.
- Você sempre chega atrasada. Só estou ligando pra dizer que o plano está de pé.
- Ok. Até logo.
- Até, e Minu?
- Sim?
- Você tem razão, mesmo você sendo a mulher mais irritante do mundo, eu te amo.

Não é a coisa mais linda do mundo?

E ainda me ama!

- Eu também te amo.

O plano ao qual Ikki se referiu foi algo que nós criamos logo depois de termos nos entendidos. Resolvemos fazer uma surpresa para os nossos oito amigos. Ficamos os quinze dias seguintes sem entrar em contato com nenhum deles.
Foi bem complicado "fugir" da Eire, ainda mais porque nós trabalhamos juntas. Mas por uma ajuda do destino, a Eire ficou dez dias fora da cidade porque estava em uma convenção. Eu poderia ter ido também, mas para pôr o plano em prática, não fui. E eu queria também aproveitar os primeiros dias do meu namoro.

Fui até o local do encontro no meu lindo carro novo que tinha apenas uma semana de uso. Ikki me convenceu a trocar de carro. Para minha surpresa, e para o espanto do Ikki, o meu carro antigo teve um bom valor na troca, e o resto, graças à maravilhosa negociação do Ikki, eu pagarei em suaves prestações. Não tão suaves assim, mas como eu não vou ter que comprar uma roupa nova para ir a cada encontro, uma vez que Ikki Amamiya já está conquistado, já terei feito uma boa economia.
Meu carro era lindo, maravilho e moderno. E tão silencioso quanto o do Ikki. Ikki, aliás, que também era lindo e maravilhoso, só que isso eu já sabia antes de ser a namorada dele.
Cheguei ao local do encontro, que, por sugestão do Ikki, foi na mesma espelunca que era antes de eu conhecer o pub moderninho, mas tudo fazia parte do nosso plano. Afinal, bem ou mal, o local era parte do nosso passado. E eu e Ikki tínhamos discutido muito lá. E agora...
Cheguei quinze minutos atrasada.

- Minu! - Era o Seiya, que usava uma larga e brilhante aliança na mão esquerda.
- Por onde você andou? - Era Eire.
- Oi, Minu. - Era o Ikki, e não havia sarcasmo, ironia, ou qualquer outra atitude comum do Ikki. O que, como já era esperado, gerou um certo estranhamento nos nossos amigos.

Minha vez de atuar.

- Oi, Ikki! Tudo bom?
- Tudo e com você?
- Tudo bem também.

Fui até a cadeira vaga que, propositalmente, era ao lado dele. Ikki se levantou e puxou a cadeira para mim. Eu agradeci como se tivesse presenciado gestos cavalheirescos por parte do Ikki, a minha vida toda.
Foi o Shiryu quem perguntou meio sem jeito.

- Está tudo bem com vocês?

Tudo ótimo, seria a resposta correta. Entretanto eu e o Ikki, atuando como se estivéssemos concorrendo a uma estatueta do Oscar, fingimos não saber a que o médico do grupo se referia.

- Está sim. Por quê? - Perguntei.
Shiryu, depois de receber uma discreta cotovelada de Shunrei, respondeu.
- É... Nada não.

Começamos a conversar o mais normalmente possível, já que o Ikki era só delicadezas comigo e eu com ele. E, óbvio, nossos amigos perdiam momentaneamente a fala a cada vez que o Ikki pegava na minha mão, ou que eu o tocava no braço, ou cochichava alguma coisa no ouvido dele.
Depois de quase meia hora de atuação, decidimos que os nossos amigos já estavam confusos o suficiente e fomos para o golpe de misericórdia.
Ikki afastou o cabelo que estava no meu rosto e eu virei para encará-lo. Sem dizer nada nos beijamos. E caprichamos. Infelizmente como estávamos de olhos fechados, não podíamos ver a cara de espanto, mas rimos alguns segundos depois, quando eles recuperaram a suas falas.
Seiya assobiava, Saori e Shunrei batiam palmas, os demais faziam tudo isso enquanto dizia algo parecido com o "até que enfim" e todos sorriam.

- Então, gostaram da surpresa? - Ikki perguntou.
- Eu ainda não acredito que você não me contou, Minu!
- Se eu contasse estragaria a surpresa.
- Vocês estão há quanto tempo juntos? - June perguntou
- Quinze dias. - Eu e Ikki respondemos juntos.
- Conte-nos, Ikki. Como está sendo a sua vida de homem sério? - Era Hyoga.
- Tenho que admitir que está melhor do que eu esperava.

A conversa ficou animada. Saori e Seiya falaram da sua lua-de-mel, mas depois o tema voltou a ser o meu entendimento com o Ikki.
A vida é boa. Tenho bons amigos, um bom emprego e quando esse encontro acabar eu não vou voltar para casa sozinha. Terei a companhia de um Lobo Mau adorável. Tudo bem, não tão adorável, assim, mas um Lobo Mau só meu.
Cheguei a conclusão de que ser uma "Chapeuzinho Vermelho" é muito mais interessante do que ser a Cinderela ou qualquer outra princesa.
Ikki me deu um rápido beijo no pescoço. Uma prévia do que teríamos mais tarde.
Sem dúvida, o Lobo Mau é muito mais interessante.

FIM!

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